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interlúdios :: dois pontos, um vazio
notas tiradas entre dois tempos, dois pontos, dois sóis, dois ventos
26 de jun. de 2017
bagaço meu
vem de dentro meu soluço
das funduras de meu poço
onde habita num cortiço
a porção do meu avesso:
eu em suma e meu palhaço
zelação
suspirava o homem-só
pelo amor daquela flor;
mendigava às alegres retinas
pelo olhar da mulher-girassol
descabida insensatez,
fez da flor seu capataz
e mentia não mais viver só
e nos sonhos fingiu-se homem-sol
14 de jun. de 2017
abaco
nas noites tintas
ele bebia secas verdades
supondo que ainda vinhas
11 de jun. de 2017
haicai vii
meu mar se conecta
ao rio que em flores sorriu
nascentes com néctar
24 de mai. de 2017
nau
a esperança me atiçou
com um cais inalcançável,
um porto chamado Tempo
e me deu uns pés de vento
e um destino: navegar
meu barco chamado Now
6 de mai. de 2017
a toca
não contente
em ser somente
aparente casca,
rompeu-se do restrito trilho
e se espalhou pipoca
bem maior que o próprio milho
25 de mar. de 2017
suspensa
seus caminhos paralelos,
suas vias marginais.
poucos são os verdes dos sinais,
colhem só vermelhos e amarelos.
desespero e esperança
se confundem, se compensam.
desacato é maldição ou bênção,
se sonhar vai onde não se alcança?
por isso passam por cima
de qualquer indiferença.
valem-se de toda pouca estima
da vida que já nasceu suspensa.
19 de mar. de 2017
amargem
posicionei-me ao ponto cego
e assumi discretamente o meu lugar
motivado por tua coisa de ignorar
as fracas almas dos sem-ego
não sou narciso nem vampiro
não combino nem com o oito nem oitenta
mas no espelho de águas turvas eu me inspiro
com ilusões que o olhar me inventa
atravessei o mar
rumei à outra margem
tinturei-me com cores do ar
desbotou-se o que era minha imagem
27 de abr. de 2011
azar o meu
uma gata preta cruzou meu caminho
eu, que nunca fui um desses de crer em azar,
apenas fiquei vendo a negra gata passar
azar o meu...
16 de abr. de 2011
desinvenção
recomeçarei da estaca-zero
sem personagem nem enredo
com o velho figurino de casa
na fala, o sotaque de berço
o andar e o olhar de nascença
fieis à versão original
mas de quê me chamarão?
ainda falta um forte apelo
um nome que chame o dinheiro
dos que compram desinvenções
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Carlos Eduardo Teixeira C
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