o mundo a desbotar-se os anseios
enquanto que do outro lado da ponte
parte de sua gente insistente
demão atrás de demão
sangra por teimar sustentar
suas ralas cores vivas
optei enfim
por uma pá errada.
não me levou a fundezas
de baixo de mim,
levou-me aos profundos da frente.
escavando as marés e os mares,
a pá errada em minha mão
era um remo.
e das fundezas à frente
até hoje não achei os fins.
manoel
--em apenas dois minutos--
consegue me abduzir das pequenices
estético-sociais desta nossa
bola-de-gude-mundo
e me hipertransmutar inteiro
para a plasticidade azul
que dá forma à água,
ao gigantismo subatômico
das formigas
e às profundezas cratéricas
das tangerinas.
parte da magia é dele,
parte da natureza invisível do mundo,
mas parte também se deve
à matéria com a qual fui criado:
de poeiras, de salivas e
de barros.