18 de jun. de 2020

entardecida


à saudade entardecida
tomando forma de lembrança
pela memória obscurecida

talvez gotas de agora
como as gotas deste orvalho
à ramagem ressequida

deidade


nebulosa borboleta
senhora da gravidade e da leveza
onde pousas tuas asas
senão na face
da própria deusa?

17 de jun. de 2020

halenitum


age, coração!
sempre foste de coragem.
e o teu alento,
teu próprio respiro
lento.

então, age:
descansa.
coragem é tirar o traje
da tempestade para uma dança.

13 de jun. de 2020


o sítio
do ofício
sem sócios,

do cio,
do vício
e do ócio,

é meu domicílio,
é um hospício
ou já será meu fóssil?

12 de jun. de 2020

ainda que tarde


o que ainda arde
ainda arde.
ao amor pouco importa
se já é muito tarde
e até do tempo se desgarrou.

se ainda arde,
ainda arde.
e nem um inseto se importa
onde o ferrão desgarrado ficou.

11 de jun. de 2020

solas de barro


vagas luzes
tudo no caminho é turvo

curvos, os postes
revelam apenas o estado
de seus próprios pés

10 de jun. de 2020

tenho sonho de ribeirinho:
presenciar o rio a descansar,
ver a outra margem
me vencer em remadas.

9 de jun. de 2020


sou eu o mesmo pódio
aonde em ondas de amor e ódio
fogem de suas rotas
tanto as vitórias como as derrotas