6 de set. de 2019

mesma sorte


um realejo a tocar
sempre a mesma sorte
à mão que gira a manivela.
de quem é o azar,
dele ou dela?

lucis


lá fora tudo é muito escuro.
aqui as luzes nos caem do céu,
creem alcançar seu futuro:
um projeto prematuro
que não sai nunca do papel.

3 de set. de 2019

disorder


não crie caso,
tudo é acaso.
aceite o caos,
surfe no caos

e, ademais,
entenda o caos
como seu cais.
this is the order.

31 de ago. de 2019

30 de ago. de 2019

red notes


verter a noite numa taça
e sorvê-la.
se houver outra taça,
dividir a noite
e deixar-se sorver.

29 de ago. de 2019

ilha de maré


ainda ouvi do meu peito
um desaguar,
um murmúrio de leito
que corria sem nunca passar.

ouvi os atritos das nuvens
no queixo do ar,
roçando branduras
e desconjuntando do amor
suas armaduras mais nulas.

mas e meu amor,
que tanto ouviu
a voz desse rio,
onde se foi derramar?

aqui o mar soa rouco.
 mas noutra estação,
canta outra canção.

25 de ago. de 2019

o perguntador mudo


perguntam-me
que coisas deixarei quando
eu partir deste mundo.

mas o que
poderei levar?
nada? pergunto.

então digo
deixarei tudo.