24 de set. de 2020
tempomar
o tempo parece pouco
para propor um manifesto.
a uma altura dessas, plantar
recomeços é uma ideia
que se dispensa.
ao mesmo tempo, é muito cedo
pra querer colher vitórias
contra a gravidade.
mas lentamente
e um tanto alto
a jubarte salta,
faz todas essas coisas
e só depois despenca.
6 de set. de 2020
de itapuã
de itapuã,
do pulso fraco
do vulto do farol,
erguem-se sempre
as noites e os dias.
da pedra inaugural,
itas litorais.
da selva de corações,
salvação à salva
de pedras.
quando a constatá-la me imbuí
—make it new—
antiga a novidade já era:
itapuã dita.
2 de set. de 2020
a sampana fez o rio
talvez o tal
divã oriental
para esses ais
tão ocidentais
não deixe deitar—
leve a deixar
pelo leito levar.
19 de ago. de 2020
crônica e centimetral
sou tão veloz
quanto um cedro.
se um dia eu chegar
a ser grande,
que eu chegue lá vivaz
e que esse dia não termine cedo.
suas
lembre-se, ser que flutua:
sendo eu um ser de raízes
fixei-me em si como na rua
fixa-se o caminho dos felizes.
suas asas ao encontro
de outro alento (mais ligeiro
eu diria até mais perspicaz)
vão. sem teto o meu tronco.
à casca crua restam pousos passageiros
e o temor de ter talhadas as iniciais
não nossas, suas.
14 de ago. de 2020
engenho
passarinho pousado
de lado me espia.
nem desconfiança
nem ousadia.
só gestos de escuta.
certamente um catador
de concertos faltantes.
pouco barulho o espanta.
veio catar-me o silêncio de agora
(o único em mim
que aprendeu a voar)
mas por que nunca os de antes?
11 de ago. de 2020
jenga
palavra alçada ao topo
desequilibra pelo peso pela
falta
não era pra ser jogo
mas joga
tudo
no chão
4 de ago. de 2020
historiografia e perspectiva do peito
sobre hoje
quem sabe amanhã
saberei
tantos ontens
que até hoje
eu não sei
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