15 de nov de 2017

urge


veio-me com a mesma urgência de um rio
disparado, sem lembrar de plantar nuvens
escapulindo do chupão do céu e do chão
farejando caminhos fáceis pra seu mar

a mesma urgência dos jambos
que deitam rosa atapetado ao chão
pra que se joguem em queda sem dores

urgência em --ao me reconhecer no mar,
no chão ou nas palavras que calamos--
me unir na entrega do que já encontrei

14 de nov de 2017

ou quantos


de tudo o que há de poesia
de nós colhida, compilada, copulada
findando por perpetuar
nossa espécie
--de amor--

quais de fato fizemos nascer?
de quais de fato fomos nascidos?

10 de nov de 2017

todos


dia ainda cedo
já se tardavam
e harmonizavam
caminhos, suaves e secos

tarde da noite
se amanheciam
sedentos, cediam
a curvas, a uvas e efeitos

8 de nov de 2017

destinação


eu rabisco versos
e não é nem pra nada:
o tinteiro é que às vezes pesa
e a pressa arrisca sempre me alcançar

por isso o peito inventa de fazer estrada
daquelas que a gente não sabe
se fica vendo se afastar
ou se apenas sonha

6 de nov de 2017

aluanda


tocava e tangia os ventos
e o chão sempre a lhe suplicar os pés

não deve ser fácil ter asas
se há âncoras impostas;
mais difícil ainda deve ser âncora
quando a alma é impetuosa no voar

âncora vira anzol
o voo iça um mundo...
não deve ser fácil ser chão
não deve ser coisa fácil ser mundo!