18 de jul de 2018

bendito amor


em mim,
olhos de paixão
não te veem.
veem-me.

quero ver-te
com olhos
que te vejam.

só assim fará sentido
a alegria de gozar
da boa visão
que é
simplesmente
ver que tu existes.

17 de jul de 2018

verdades que não


expor
minhas verdades
não me agrada

porque não são verdades que conheço
porque não são verdades
porque não

16 de jul de 2018

o banco de praça de um lugar só


senta-se apenas
a sombra
de uma só pessoa
ou do sol.

o banco
--da praça--
é de um só lugar,
mas muitos lugares
já sentaram-se ali.

topetes e tapetes


tapetes e topetes
servem igualmente
para ornar.

e ornar
também pode servir
para esconder.

não sou careca
--não sei se serei--
mas que seja sempre
ornado de toda nudez
este meu chão
sujo.

15 de jul de 2018

14 de jul de 2018

novidade nenhuma


viver e morrer mais de mil vezes
dentro da mesma e única vida,
um só amor é capaz de fazer.
às vezes amores.
mas sempre
o amor.

não há, nisto,
novidade alguma.
mas para quem acabou
de sair de novo do ovo
--a fim de que não se choque--
vale dizer.

prece aos ventos


não recebi resposta,
mas recebi a mensagem.
daquele nada eu fiz a leitura
e percebi o silêncio de cada coisa.
não é uma bandeira vermelha
fixada no mastro alto
que sinaliza.

os sinais que agora
recebo não são
de bandeira.

são sempre os ventos
--por quem fiz minhas preces--
que dão os sinais.

13 de jul de 2018

suportes


quando deixarem de existir
os mais diversos tipos de
fronteira divisa barreira
não apenas territoriais
inclusive os pessoais
não por vir-nos paz
mas pelo apinhamento de gente no globo
fazendo do mundo
almofada de alfinetes
aí talvez alguém soerga
um muro só para poder
recostar a coluna em paz

12 de jul de 2018

grandezas


viajar por horas no espremido
do breu do vácuo sideral entre
os minúsculos e aglomerados
quatrilhões de corpos celestes
com os olhos igualmente
semicerrados.

mas já paraste para passear
com todos os sentidos ligados
pelo meio da luminosa imensidão
dos etéreos espaços onde mora
aquela inteira existência,
naquele microcosmo?
eu já.

saldo


lembro do tempo
que viver era ter medo.
o medo de sofrer
gerava em mim um outro medo
que de tão medo dava medo de viver.

mas medo de sofrer
já é o próprio sofrimento.
e o que é viver?

eu só vim ver
que viver bem não tem segredo
quando entendi que o sofrimento
é o beliscão que a gente dá
na própria pele para ter bem garantida
uma certeza: estamos vivos.
e o resto é vida.