22 de ago de 2017

paralela


o poeta olhava indiferente
as teorias avançadas da ciência:
dobras do espaço-tempo, multiversos…
“que coisa ultrapassada!”

em seus palcos,
das suas penas
os enredos já eram atemporais
e reais

do amor daquele mundo paralelo
faltavam-lhe apenas
fotos pra recordar

21 de ago de 2017


coleciono
--mas não colho--
flores que não são minhas,
que encontro
em meus caminhos

nada é meu,
eu coleciono caminhos
e sou dos caminhos

18 de ago de 2017

almar


o corpo
--esse maciço metal
que ancora o que há de alma--
sente e se arrasta ao fundo
toda vez que o amar abala a calma

17 de ago de 2017

aparentemente


ao que parece,
ela tudo lê,
tudo sente

só parece não ler
aquilo que está
mais do que evidente

ou não lê
ou apenas mente
por não querer

16 de ago de 2017

particípie!


tô pronto
de ponto batido
de banho tomado
comida comida

de panos passados
verdades preditas
também escutadas
quem sabe fugidas

de beijo sonhado
de sonho assanhado
e é tudo e mais nada
mas... por ora nada

15 de ago de 2017

onde ondas


por onde anda,
que já não me olha?
mesmo que se molhe,
não se afogue
nem suma.

em suma,
todo balanço é um molho.
então, não se afobe
mesmo que
por ondas ande.

14 de ago de 2017


cadê que não chega?
não sento, te espero...
sem essa de chá de cadeira!

cadê minhas pernas?
não sinto, te espeto!
sem pressa, tomei o meu chá de cadê…