25 de jul de 2017

praga persistente


foi por um rio que cheguei,
mesmo não tendo rio aqui.
foi dele que desafoguei
tudo que ainda não nasci

na inclemência do chão quente,
deitei-me inteira em cicatriz.
na terra estéril e repelente,
fugi de amar e ser feliz

foi por um fio que fiquei
o amor é praga persistente
cria raízes, força a lei
enxerga rio onde há nascente

23 de jul de 2017


no baile das ressacas,
o que as ondas bagunçam,
os ventos tratam de rearrumar

22 de jul de 2017

diluição


preferia overdose;
dela só restam fragmentos
diluídos no imenso do mar

suas águas agora são outras
--mas todo oceano no fim se conecta--

e se, lá, ela ainda se banha
ele, aqui, também adentra no mar
como que pra tomá-la

que nem homeopatia

21 de jul de 2017

dos caminhos


fingia pescar,
mas apenas caçava garrafas…
e, engarrafando seus sonhos,
lançava de volta as garrafas ao mar

{tudo convém:
os sonhos se guiam sozinhos
--não carecem de velas ou bússolas--
e o mar --favorável-- conhece os destinos}

os sonhos seguiam sozinhos
e conheciam os pés a atracar

20 de jul de 2017

inanição


traria-te à luz
e a lei te conheceria.
mas que te faria a lei?
que garantias de sobrevida terias?

nada cometeste,
foste acometido;
trazer-te à luz e tentar te alimentar
ou te matar de inanição?

19 de jul de 2017

vagas


sua ruína
foi crer-se desejado
pela dona daquele olhar risonho

bobagem

ser alcançado
por ondas e marés
quer dizer ser cobiçado pelo mar?

quem se apaixona é o ego;
o Ser, em si,
-- dizem --
é cego