9 de mar de 2008

faca e foice


eu quero ter a faca
que corta a língua dos que julgam
furar os superegos
y alto decir: ¡vida no es juego!

rasgar a animalia
dos que -- moldados pra ser gente --
consentem co'a agonia
e vão nas vias das serpentes

e eu sonho usar u'a foice
tão amolada quanto as línguas
e entrar na mesma lista
dos que, o rumor, deceparei

enfim, nós (mutilados)
regressaremos ao começo:
no reino do silêncio;
porto em que o caos fez-se endereço

5 de mar de 2008

recreios juninos


enfim chegou aquele dia
enfim chegou a minha vez
bigode a lápis fez cosquinha
nossa camisa era xadrez

chapéu de palha me espetava
e aquela calça incomodando
gravata doida que apertava:
caixa de fósforo e um pano

mas melhorou quando lhe vi
-- com várias pintas e duas tranças --
compartilhando a mesma espiga
e me sorrindo em nossa dança