
espiava pelos panos
pelo orifício dos trincos
de onde se via um mundo louco
parque da mente em que reino e brinco
tropecei em belo tombo
fui para dentro da cena
daquela cena fiz quilombo
palco dos sonhos de almas obscenas
por acaso ali entrei
passos em falso arrisquei
e fui ouvindo loas surdas
prata que paga audácia absurda
e uma chave enfim trancou-me
dentro da cena forjada
com minha pele escancarada
para os buracos das fechaduras