13 de fev de 2007

passarela


fluxo de sangue mestiço
atarantado em artérias do centro,
pontes-safena em concreto
acumulando andamento demisso...

passa de mim, passa dela,
corre apressado o menino atrevido,
pede licença e penetra
na correnteza de duplo sentido.

feira suspensa no tráfego,
onde o pastor improvisa seu púlpito;
cego tocando uma esmola
com seu flautim e seus dedos de bola;

fora os malandros de gorro,
os que encomendam produtos do cais:
bolsa, relógio e perfume,
vários artigos não-originais.

anda a fileira encolhida
(como num tímido fim de conversa)
rumo ao seu desaguadouro --
veia rompida e sangria dispersa.



(poema posteriormente musicado pelo overparceiro Luciano Carôso)

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